Terror ao redor do mundo: 5 filmes que embalaram o gênero

As Boas Maneiras (Foto: Divulgação/Canal+)

O terror é um dos gêneros mais amados dos cinéfilos e não é à toa, quem nunca levou sustos com jumpscares e sangue jorrando, como nos clássicos ‘Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio’ (1981) e ‘Pânico’ (1996) não sabe o que é pular do sofá e deixar a pipoca voar. 

Nos anos 2000 o gênero passou por uma decadência e muitos se perguntavam se o estilo ainda seria capaz de produzir obras que não só assustam por si só e querem saber se você tem medo do escuro, mas sim mergulhar nos confins mais demoníacos da sua mente e te provocar, como nas obras-primas ‘O Bebê de Rosemary’ (1968) e ‘O Exorcista’ (1973).

É esse terror psicológico e desafiador que vem fazendo com que o gênero volte com toda a força ao topo das tendências cinematográficas contemporâneas, reafirmando valores antigos através do novo, em que os longas vêm envoltos em uma espessa camada de insanidade gerada por uma atmosfera lenta que evoca medos e perturbações que cada espectador carrega consigo ao se debruçar contra a telona do cinema. 

A partir disso, indicamos cinco filmes, de 5 partes diferentes do planeta, que ressignificaram conceitos e embalaram o gênero nos últimos seis anos:

As Boas Maneiras (2017)

(Foto: Divulgação/Canal+)

Começando a lista com nosso representante nacional, dos diretores Juliana Rojas e Marco Dutra, ‘As Boas Maneiras’ segue o olhar de Clara, uma solitária enfermeira e moradora da periferia de São Paulo que começa a trabalhar como babá de Ana, jovem de classe média alta, semanas antes do bebê dela nascer. Com o passar do tempo, à medida que a gestação evolui, Ana começa a demonstrar comportamentos estranhos e hábitos noturnos que acabam influenciando diretamente sua relação com Clara. 

Proclamado como “ambicioso” pela imprensa internacional, ‘As Boas Maneiras’ saiu do tradicional Festival de Locarno, na Suíça, em seu ano de lançamento, com o prêmio especial do Júri. No Festival do Rio, faturou os prêmios de Melhor Filme, Atriz Coadjuvante para Marjorie Estiano e Fotografia, além do prêmio Felix, dedicado a produções com temática LGBTQI+.

Surpreendente ao extremo, o longa faz muito em pouco mais de duas horas, de clima pesado de mistério aterrorizante e erotismo a uma legítima aventura juvenil, sem deixar de fora o humor e a tensão social, através de uma narrativa cheia de viradas e muito bem construída que reinventa o conto fantasioso de uma lenda folclórica tipicamente brasileira. 

Onde ver? Google Play e Youtube.

O Babadook (2014)

(Foto: Divulgalção/Screen Australia)

Essa coprodução entre Austrália e Canadá nos apresenta Amelia, uma viúva que, mesmo após anos, ainda é atormentada pela morte do marido, e vive sozinha com o filho, Samuel, de seis anos. O garoto sempre tem sonhos com o mesmo monstro, que acaba sendo reconhecido como a mesma criatura sombria presente no livro misterioso que aparece em sua estante, o ‘Sr. Babadook’. A partir disso, o medo toma conta de mãe e filho, quando a criança começa a agir irracionalmente, ao mesmo tempo em que acontecimentos estranhos assolam a casa.

Em sua estreia como roteirista e na direção de um longa-metragem, Jennifer Kent foi agraciada com o prêmio do Círculo de Críticos de Nova York de Melhor Primeiro Filme pela obra em 2015, que também recebeu elogios do diretor do clássico ‘O Exorcista’, William Friedkin, declarando que nunca havia visto “um filme mais aterrorizante que O Babadook”.

Sem oferecer respostas claras, o longa trabalha com a sugestão e a imaginação do espectador para construir o terror na tela deixando-o inquieto com o que não está vendo. Dá margem a interpretações diversas e psicológicas sobre o que seria o tal monstro do título, reforçando a ideia de que filmes de terror não apenas dão sustos, mas lidam com assuntos profundos do ser humano.

Onde ver? DVD Blu-Ray.

Invasão Zumbi (2016)

(Foto: Divulgação/Next Entertainment World)

Neste filme sul-coreano, embarcamos em uma viagem de trem em direção à cidade de Busan, com Seok-Woo e Soo-An, pai e filha não muito próximos. Enquanto isso, o país inteiro sofre rapidamente com a epidemia de um vírus desconhecido que transforma os infectados em violentos zumbis. Em meio a todo o caos instaurado, os dois se veem obrigados a lutar pela sobrevivência em conjunto a todos os outros passageiros.

Tendo sua estreia aplaudida em pé no Festival de Cannes de 2016, a obra do diretor Yeon Sang-Ho conseguiu reunir mais de 11 milhões de espectadores durante a exibição comercial em seu país de origem. Também foi indicado como Melhor Filme de Terror pelo Saturn Award, prêmio que destaca as melhores produções audiovisuais nos gêneros de ficção-científica, horror e fantasia.

Com um ritmo frenético, o longa resgata a temática do apocalipse zumbi transportando-a para os vagões pequenos e claustrofóbicos de um trem, transmitindo todo o desespero de seus personagens. Com uma rica exploração dos dramas pessoais apresentados, o filme tem a capacidade de emocionar, além de realizar uma discussão sobre os apectos do comportamento humano coletivo e seu desenvolvimento.

Onde ver? Netflix.

Tempo Compartilhado (2018)

(Foto: Divulgação/Netflix)

Pedro decide passar as férias num paradisíaco hotel tropical com sua esposa e filho, o que parece ser um período de descanso e tranquilidade se torna um pesadelo à medida que o tempo passa. Sem compreender muito bem o caminhar macabro das coisas, Pedro se dá conta de que precisa resgatar seus familiares da área quando fica convencido de que um conglomerado estadunidense tem um plano sinistro para eles.

Dirigido por Sebastián Hoffman, jovem diretor nomeado pelo site Hollywood Reporter como “talento para se assistir”, ‘Tempo Compartilhado’ ganhou o prêmio do Júri de Melhor Roteiro no Festival de Sundance e tem marcado presença nas listas de melhores filmes mexicanos da década, ao lado de longas como ‘Museu’ (2018) e ‘Roma’ (2019).

Criando atmosfera surrealista sobre coletividade e capitalismo integrado, o longa carrega muito do estilo de Jordan Peele, diretor e roteirista dos contemporâneos 'Corra' (2017) e 'Nós' (2019), similaridades que vão desde referências de trilha sonora pausada e abrupta as tonalidades arroxeadas da fotografia. Estranheza e crítica social funcionam em conjunto e fazem de 'Tempo Compartilhado' uma jóia bruta recente.

Onde ver? Netflix.

Grave (2016)

(Foto: Divulgação/Petit Film)

Fechando pela França, 'Grave' nos põe na pele de Justine, uma jovem que acaba de entrar para a mesma universidade de medicina veterinária em que sua irmã, Alexia, também estuda. Durante toda a sua vida, a garota foi vegetariana, mas durante o tradicional trote da faculdade, ela é forçada a comer carne pela primeira vez. A partir disso, a fome pelo alimento se torna incontrolável, chegando a medidas e consequências extremas.

O primeiro filme da diretora Julia Ducournau teve sua estreia no Festival de Cannes em 2016, e lá mesmo foi o ganhador do Prêmio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema. No entanto, durante a sua exibição no Festival de Toronto, o longa fez com que inúmeros espectadores passassem mal, de vômito a desmaios, sendo necessária a ação de médicos.

Intrigante, o longa consegue criar uma atmosfera que hipnotiza ao mesmo tempo em que provoca o sentimento de repulsa em quem o assiste, com a apresentação de imagens e acontecimentos que ressaltam o instinto primitivo ainda presente no âmago do ser humano, se tornando um filme tão cru quanto a carne consumida nele.

Onde ver? Netflix.

Por Augusto Ferreira e Vinícius Galan

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