Ad Astra: Rumo às Estrelas (2019) - Crítica

(Foto: Divulgação / 20th Century Fox)

Nos últimos anos o cinema americano buscou apresentar ficções científicas no espaço voltadas a temas como emoção e família. 'Interestelar' de Cristopher Nolan e 'O Primeiro Homem' de Damien Chazelle são bons exemplos desse tipo de produção cinematográfica. Foi então que James Gray decidiu criar sua própria história autoral sobre viagem espacial e sentimentalismo em 'Ad Astra: Rumo às Estrelas', concretizando uma abordagem inovadora e tocante.

A excursão do astronauta Roy Mcbride (Brad Pitt) buscando encontrar o pai desaparecido, enviado pela NASA para localizar vida inteligente fora da terra, nada mais é do que uma jornada em busca de seu próprio eu.

Vivendo uma vida fria e amargurada, Roy começa a refletir os motivos de ser como é, e percebe que a influência da relação com o pai o moldou como ser humano.

Sem a presença da figura paterna desde os 16 anos, nosso protagonista criou uma casca para se proteger do mundo externo. Tenta ser forte a todo tempo, trabalhar de maneira impecável e não se abalar por situações tortuosas, características do pai enquanto presente.

James Gray acaba propondo então uma reflexão sobre masculinidade tóxica: O que é "ser homem"?

O ensinamento estereotipado de que é ser imponente, não poder demonstrar sentimentos e nunca falhar em seus objetivos é posto à prova. E a partir dessa ideia de desconstrução de padrões que se realiza a transformação existencial de Roy.

O astronauta, portanto, se encontra em uma busca existencialista pela verdade interior. O longa provoca a pensar sobre prioridades, o que de fato é fundamental em nossas vidas. O quanto nossas escolhas individuais guiam o quão realizados nos sentimos.

O Roy inicial, perdido e em busca do pai, sofre tantas mutações durante sua jornada, que não chega nem perto de ser mais o mesmo.

Nunca em sua vasta carreira Brad Pitt foi tão exigido como em Ad Astra. O papel pediu um expressionismo facial ímpar e um sentimentalismo honesto que faz com que o excelente desempenho do ator se ligue totalmente ao sucesso que o filme é. E aliás, além de atuar, Pitt produziu o filme, evidenciando ainda mais a pessoalidade do trabalho.

O minimalismo do roteiro é justificável pelas divagações filosóficas usadas como pano de fundo para tudo que acontece, enganando os espectadores que esperavam um blockbuster no espaço sideral. São poucas as cenas de ação, e estão ali mais como figuras de linguagem do que qualquer outra coisa.

Poderoso, emocionante e reflexivo, Ad Astra toca fundo nossas almas, trazendo a tona sentimentos que fazem dos humanos o que são, e valores inerentes a nós mesmos. Um filme que merece ser visto e revisto.

Nota: 4,5/5.

Trailer legendado:


Onde ver? Google Play e Youtube.

Por Vinícius Galan

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