Madrugada de Mistérios: Um Olhar Sobre o Cinema Noir
No Petra Belas Artes, localizado na Rua da Consolação, é noite de cinema noir, e mais de 200 pessoas lotam o hall de entrada do cinema esperando para passar a madrugada se deliciando com clássicos do estilo. Iago Oliveira, estudante de 23 anos, na sua décima visita, quando perguntado a respeito de sua opinião sobre o evento, é bem enfático em aprová-lo: “Eu gosto muito, porque eles reúnem muitos filmes antigos com filmes novos, e é sempre um tema diferente e novo. Adoro bastante”. O evento Noitão - Cinema Noir, realizado no dia 26 de abril, exibiu três filmes do gênero durante a madrugada.
Fachada do cinema Petra Belas Artes (Foto: Vinícius Galan)
O público pôde escolher entre duas salas com programações diferentes: dois filmes à escolha do espectador e um filme surpresa presente em ambas as salas. Entre eles estavam “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997) e “Sin City: A Cidade do Pecado” (2005). As sessões ocorreram das 23h30 às 7h do dia seguinte, com preços entre 19 e 38 reais. O Noitão acontece mensalmente, com o objetivo de homenagear diretores e gêneros, e além dos filmes, tem sorteios de prêmios, música nos intervalos das sessões e entrega de kit lanche ao final.
Sorteio de brindes antes das sessões (Foto: José Augusto Ferreira)
A proposta deste Noitão foi apresentar cult-movies modernos, mas que reuniam elementos próprios desse estilo. Os selecionados foram “O Destino Bate à Sua Porta” (1981), de Bob Rafelson, com Jack Nicholson e Jessica Lange, refilmagem do clássico de 1946, estrelado por Lana Turner e John Garfield; Veludo Azul (1986), de David Lynch, indicado ao Oscar de Melhor Diretor; “Los Angeles: Cidade Proibida” (1997), de Curtis Hanson, que levou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e deu a Kim Basinger o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante; “Sin City: A Cidade do Pecado” (2005), de Frank Miller e Robert Rodriguez, com a colaboração de Quentin Tarantino. O filme-surpresa que encerrou a maratona foi “Relíquia Macabra” (1941), de John Huston, com Humphrey Bogart e Mary Astor, indicado a três Oscars.
O subgênero cinematográfico noir ganhou esse nome do crítico francês Nino Frank, nos anos 1940, e tinha como influência principal a literatura policial e de suspense, produzida por escritores como Dashiell Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain. Os primeiros filmes americanos nesse estilo surgiram ainda no começo da década de 1940, quando seus diretores e produtores nem imaginavam que estavam lançando uma nova estética cinematográfica. Essa onda viria a gerar diversas obras-primas ao longo do seu período clássico, que durou até o final dos anos 1950.
O estilo noir é fortemente influenciado pelo Expressionismo alemão da época do nazismo, quando diversos diretores alemães, entre eles Fritz Lang, emigraram para os Estados Unidos levando suas técnicas de filmagem. Dentre esses recursos, destaca-se o uso da luz como elemento para ressaltar traços psicológicos dos personagens, criar sombras e aumentar a tensão dramática. O termo noir (preto, em francês) faz referência direta a essa tendência sombria predominante na linguagem estética desses filmes. Outros elementos comuns do cinema noir são personagens ambíguos ou com segredos do passado, crimes passionais, detetives, mulheres malvadas, ambição, desconfiança e traição.
Os 10 melhores filmes noir de acordo com o público (IMDB)
Lucas, técnico audiovisual de 27 anos, um dos presentes ao Noitão, declara seu entusiasmo pelo tema: “Eu particularmente gosto muito. É um dos gêneros que eu gosto bastante do cinema clássico, por se tratar tanto de filmes comerciais quanto filmes B. Ele tem esses dois aspectos”.
O que é filme noir? (Canal Entre Planos)
Por Augusto Ferreira e Vinícius Galan


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